{"id":195,"date":"2012-02-09T10:36:29","date_gmt":"2012-02-09T12:36:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/?p=195"},"modified":"2013-08-15T14:10:06","modified_gmt":"2013-08-15T16:10:06","slug":"copacabana-irregular-rede-sem-fio-da-favela-ainda-vive-na-base-do-ratata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/copacabana-irregular-rede-sem-fio-da-favela-ainda-vive-na-base-do-ratata\/","title":{"rendered":"Copacabana: irregular, rede sem fio da favela ainda vive na base do &#8220;ratat\u00e1&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Em maio de 2009, na ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o oficial do programa Rio Estado Digital na comunidade Santa Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a primeira favela a receber sinal de internet banda larga gratuita no Pa\u00eds, o governador S\u00e9rgio Cabral deu a seguinte declara\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, recuperada pela reportagem: &#8220;O estado do Rio \u00e9 o mais avan\u00e7ado do ponto de vista tecnol\u00f3gico do Brasil e, logo, vai se transformar no primeiro estado 100% digital, com cobertura aberta para toda a sua popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Quase dois anos depois, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas do aspecto revolucion\u00e1rio que envolve o projeto, que al\u00e9m de pioneiro, conseguiu ainda a proeza de unir o morro ao asfalto &#8211; j\u00e1 que o servi\u00e7o oferecido nas comunidades \u00e9 o mesmo presente na orla digital da praia de Copacabana, por exemplo, onde a elite dos apartamentos milion\u00e1rios, e dos milhares de turistas e transeuntes di\u00e1rios, inauguraram oficialmente o programa, em julho de 2008.<\/p>\n<p>A promessa de um estado 100% digital, por\u00e9m, ainda engatinha quando o assunto \u00e9 inclus\u00e3o digital nas favelas ainda carentes de uma banda larga capaz de oferecer uma velocidade suficiente para o download de m\u00fasicas e filmes, ou mesmo um streaming de qualidade. Neste ponto, o Rio Estado Digital n\u00e3o avan\u00e7ou com a mesma velocidade das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora, as UPPs. Em dois anos, s\u00e3o apenas sete comunidades atendidas, numa esfera de quase mil. S\u00e3o elas: Santa Marta (Encontra Botafogo), Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho (Copacabana), Cantagalo (Encontra Ipanema), favelas do Batan e Cidades de Deus (zona oeste), Rocinha, na Zona Sul, morro da Provid\u00eancia, no centro do RJ.<\/p>\n<p>Fica de fora do levantamento o morro do Adeus, dentro do complexo do Alem\u00e3o, na Zona Norte da cidade, onde desde a \u00faltima semana j\u00e1 est\u00e1 em funcionamento, em per\u00edodo de experimenta\u00e7\u00e3o, o novo servi\u00e7o que promete atender mais 80 mil pessoas \u00bf o intuito at\u00e9 o meio do ano \u00e9 atingir mais de 300 mil internautas. Vale lembrar tamb\u00e9m que, al\u00e9m da praia de Copacabana, j\u00e1 t\u00eam sinal de internet gratuito a avenida Presidente Vargas, no centro, e a rua Tereza, em Petr\u00f3polis, na regi\u00e3o serrana do Estado.<\/p>\n<p>Sendo assim, de acordo com estimativas das associa\u00e7\u00f5es de moradores e dados do \u00faltimo censo realizado pelo IBGE, vive nestas favelas citadas anteriormente um total de 176 mil moradores. N\u00famero que poderia ser melhor aproveitado tendo em vista que, segundo a secretaria de Ci\u00eancia e Tecnologia, patrocinadora do programa ao contratar o know-how de importantes universidades do Rio (PUC, UFRJ, Uerj, UFF e IME), a um custo total de R$ 18 milh\u00f5es at\u00e9 aqui, s\u00e3o 29 mil acessos di\u00e1rios por dia. Na Rocinha, por exemplo, um mundo de casas grudadas de quase 100 mil pessoas, s\u00e3o parcos cinco mil acessos\/dia.<\/p>\n<p>Tudo isso a uma velocidade de 250 kbps, e com seguidas interrup\u00e7\u00f5es de sinal, como relataram alguns moradores ouvidos pela reportagem do Terra. &#8220;Eu moro ao lado da antena e quando eu vim morar aqui funcionava bem. A\u00ed teve uma \u00e9poca de chuva que piorou por umas duas semanas, e depois voltou e ficou bom. Agora est\u00e1 entrando ruim de novo&#8221;, diz a dona de casa Fab\u00edola Lopes, do Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho, em Copacabana.<\/p>\n<p>&#8220;A internet daqui da comunidade \u00e9 boa, quando tem, n\u00e9? \u00c0s vezes demora at\u00e9 uma, duas semanas para consertar. A\u00ed voc\u00ea imagina uma grande empresa ou algu\u00e9m ficar duas semanas sem internet? \u00c9 muito complicado&#8221;, relata o professor de dan\u00e7a e guia tur\u00edstico Thiago Firmino, nascido e criado no Santa Marta.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 meio constrangedor voc\u00ea tentar contar com esse servi\u00e7o e nem sempre conseguir. Algumas pessoas acabam usando lan house, mesmo tendo computador em casa. Por falta de op\u00e7\u00e3o mesmo&#8221;, completa M\u00e1rcio de Almeida, t\u00e9cnico em inform\u00e1tica e morador h\u00e1 20 anos do morro do Cantagalo.<\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece com o chefe de cozinha Alysson Teixeira, no Cantagalo. &#8220;Tenho que vir at\u00e9 a lan house, n\u00e3o tem jeito. Gasto cerca de quatro reais por dia para ficar conectado mais ou menos umas duas horas. N\u00e3o d\u00e1 para ficar sem tamb\u00e9m&#8221;, conta. &#8220;A nossa necessidade \u00e9 t\u00e3o grande quanto a do pessoal da rua, sendo que eles t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar uma internet mais cara e n\u00f3s ficamos dependentes desta aqui. Quer dizer, nos ado\u00e7aram a boca, e no entanto est\u00e1 deixando um certo d\u00e9ficit&#8221;, concorda o serralheiro Marcelo Alves, do Santa Marta.<\/p>\n<p>As explica\u00e7\u00f5es passam por dois pontos importantes, que envolvem n\u00e3o apenas as autoridades p\u00fablicas, mas o pr\u00f3prio comportamento dos moradores que querem estar 100% inseridos digitalmente. O primeiro, como esclarece o secret\u00e1rio estadual de Ci\u00eancia e Tecnologia, Alexandre Cardoso, \u00e9 de car\u00e1ter educacional: o Rio Estado Digital n\u00e3o \u00e9 uma plataforma de entretenimento para que o aparelho mp3 do jovem possa ser abastecido diariamente com o download de m\u00fasicas \u00bf at\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 o intuito do projeto competir com as lan houses, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um projeto para fluir conhecimento e educa\u00e7\u00e3o, acima de qualquer coisa. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 integrar o cidad\u00e3o. Agora, instalar rede sem fio em shopping \u00e9 f\u00e1cil, quero ver colocar na Rocinha. No shopping n\u00e3o tem raio, n\u00e3o tem vento. N\u00f3s queremos aprimorar o servi\u00e7o e dentro de um ou dois anos teremos o maior know-how deste tipo de educa\u00e7\u00e3o, nenhum lugar no mundo tem isso&#8221;, afirma Cardoso, para quem a expertise adquirida no projeto, junto com as universidades, vai propiciar aos envolvidos &#8220;saber onde pode ou n\u00e3o dar certo&#8221;, dentro de um planejamento de manuten\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o prestado.<\/p>\n<p>A segunda e n\u00e3o menos importante quest\u00e3o: n\u00e3o s\u00e3o apenas raios e chuvas que danificam a qualidade do sinal. Falta maior poder de conscientiza\u00e7\u00e3o. E \u00e9 neste ponto que entra a responsabilidade dos pr\u00f3prios moradores. &#8220;J\u00e1 ouvi falar que n\u00e3o \u00e9 problema espec\u00edfico de rede apenas, \u00e9 linha de pipa que corta o fio do r\u00e1dio e tal, mas h\u00e1 uma certa demora em responder o problema&#8221;, explica Marcelo Alves.<\/p>\n<p>&#8220;Essa rede wireless pega muito superficialmente, \u00e9 como se o sinal estivesse por cima do Santa Marta. E tem gente que em por\u00e3o, em casas com parede muito grossa de cimento, n\u00e3o consegue pegar o sinal, acha que tem que abrir o laptop e entrar na internet, n\u00e3o \u00e9 assim. Eles (do governo) explicaram: quem tem dificuldade para acessar dentro de casa, coloca uma antena externa, voc\u00ea bota um cabo alongador, e o cabo chega at\u00e9 sua sala e voc\u00ea tem acesso a internet&#8221;, pondera Thiago Firmino. &#8220;E j\u00e1 vi casos de vandalismo tamb\u00e9m, de gente confundir a antena com c\u00e2mera de monitoramento e destru\u00ed-la&#8221;, completa.<\/p>\n<p>&#8220;Vaquinha&#8221; virou a solu\u00e7\u00e3o<br \/>\nDiante dos desafios que a inclus\u00e3o digital ainda enfrenta nas comunidades carentes do Rio de Janeiro, uma solu\u00e7\u00e3o bem \u00e0 brasileira tem servido como paliativo. A famosa &#8220;vaquinha&#8221;, ou o &#8220;ratat\u00e1&#8221;, na g\u00edria carioca para o rateio de custos, tamb\u00e9m tem servido de base para o aumento na quantidade de internautas nos morros da capital fluminense.<\/p>\n<p>&#8220;Antes esse cara ficava s\u00f3 numa lan house. Agora, pela primeira vez, pudemos constatar que passou para outras fontes. J\u00e1 tem gente usando placa 3G tamb\u00e9m, mas o que pudemos observar e o que nos chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que muita gente tamb\u00e9m est\u00e1 &#8216;rateando o acesso&#8217;. Ele consegue ter um plano em casa, e &#8216;racha&#8217; com os vizinhos. O cara paga R$ 5 e tem acesso livre&#8221;, explica Renato Meirelles, diretor do Data Popular, que na \u00faltima semana divulgou um estudo espec\u00edfico da gera\u00e7\u00e3o C \u00bf que ouviu dois mil jovens da nova classe m\u00e9dia fluminense, na qual o cotidiano das favelas de toda a regi\u00e3o metropolitana do Rio est\u00e1 inserido.<\/p>\n<p>&#8220;A gente escuta falar mesmo. Como aqui, por exemplo, quem prefere pagar, a Velox (OI)\u00e9 a \u00fanica empresa de fora que atende, e s\u00f3 quem tem telefone consegue. E nem todo mundo da comunidade tem telefone fixo, ent\u00e3o o vizinho faz esse sinal e vai passando para o outro. \u00c9 o jeito&#8221;, concorda Marileide Silva, dona de uma lan house no Cantagalo. &#8220;Nesse local eu tenho pouco sinal, tenho apenas 2 MBps, e a gente paga R$ 60. N\u00e3o \u00e9 o suficiente para mim, mas eu n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de aumentar&#8221;, lamenta Marileide.<\/p>\n<p>Em conversas com moradores das comunidades visitadas pela reportagem, que n\u00e3o quiseram se identificar, ficou claro tamb\u00e9m que existem os que aproveitam a defici\u00eancia de acesso para ganhar um a mais. Assinam planos com operadoras e cobram cerca de R$ 30 pela senha que libera o sinal. Para evitar a dissemina\u00e7\u00e3o entre os que n\u00e3o entram na jogada, o c\u00f3digo \u00e9 alterado constantemente e enviado por e-mail para os assinantes do &#8220;servi\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Cada um d\u00e1 o seu jeito, n\u00e9. Nada melhor do que voc\u00ea aproximar a favela de qualquer lugar do mundo, a gente nunca est\u00e1 distante, fica perto do computador para estar pr\u00f3ximo ao mundo. Eu tenho certeza absoluto de que vou muito, mas muito longe&#8221;, afirma Thiago Firmino. Seja com rede sem fio gratuita, &#8220;gatonet&#8221;, &#8220;ratat\u00e1&#8221; ou gastando dinheiro na lan house.<\/p>\n<p><em>Fonte: Portal Terra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em maio de 2009, na ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o oficial do programa Rio Estado Digital na comunidade Santa Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a primeira favela a receber sinal de internet banda larga gratuita no Pa\u00eds, o governador S\u00e9rgio Cabral deu a seguinte declara\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, recuperada pela reportagem: &#8220;O estado do Rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1025,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions\/1025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}