{"id":156,"date":"2012-01-19T13:58:14","date_gmt":"2012-01-19T15:58:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/?p=156"},"modified":"2013-08-15T14:10:03","modified_gmt":"2013-08-15T16:10:03","slug":"jovens-de-favelas-do-rio-desenvolvem-acoes-em-comunidade-de-copacabana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/jovens-de-favelas-do-rio-desenvolvem-acoes-em-comunidade-de-copacabana\/","title":{"rendered":"Jovens de favelas do Rio desenvolvem a\u00e7\u00f5es em comunidade de Copacabana"},"content":{"rendered":"<div id=\"materia-letra\">\n<div>\n<div>\n<p>Em seis favelas pacificadas no Rio, o burburinho de jovens pregando cartazes em postes, agitando moradores a participarem de eventos e anunciando suas pr\u00f3prias inaugura\u00e7\u00f5es t\u00eam gerado um movimento novo de novembro para c\u00e1.<\/p>\n<p>Eles v\u00eam dando o pontap\u00e9 inicial para 30 projetos idealizados por eles pr\u00f3prios para suas comunidades, voltados para \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, reciclagem, arte, produ\u00e7\u00e3o de eventos, internet e desenvolvimento profissional.<\/p>\n<p>Os jovens empreendedores por tr\u00e1s das ideias t\u00eam de 15 a 29 anos e foram estimulados a buscar solu\u00e7\u00f5es para suas favelas pela Ag\u00eancia de Redes para a Juventude. O projeto foi iniciado em mar\u00e7o do ano passado, quando 300 jovens foram selecionados para participar, dentre quase 900 que se inscreveram.<\/p>\n<p>&#8216;Durante os \u00faltimos 15 anos, o jovem de favela foi considerado um jovem carente, sem informa\u00e7\u00f5es, que precisava ser capacitado. A ag\u00eancia acredita no contr\u00e1rio. Esse jovem n\u00e3o \u00e9 carente, ele \u00e9 potente&#8217;, diz Marcus Vin\u00edcius Faustini, idealizador do projeto.<\/p>\n<p>&#8216;Queremos acabar com a ideia de que o jovem \u00e9 aluno. Ele \u00e9 um criador, e n\u00f3s criamos ambientes criativos para que desenvolva suas ideias.&#8217;<\/p>\n<p>Nascido e criado em um conjunto habitacional de Santa Cruz, na zona oeste do Rio, Faustini \u00e9 diretor de teatro, produtor cultural e criador de ONGs que atuam nos sub\u00farbios do Rio, al\u00e9m de autor do Guia Afetivo da Periferia.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o gosta de definir a ag\u00eancia como uma incubadora; prefere trat\u00e1-la por &#8216;desencubadora&#8217;. &#8216;\u00c9 para botar (a ideia) para fora. Queremos criar um ambiente de mobilidade social. \u00c9 uma quebra de paradigma. Geralmente, ningu\u00e9m escuta esses jovens. A gente vem buscando um outro lugar para eles, um lugar de fala, e n\u00e3o s\u00f3 de escuta.&#8217;<\/p>\n<p>Bolsas e brainstormings<\/p>\n<p>Ao longo do ano passado, os 300 participantes receberam patroc\u00ednio de R$ 100 mensais e participaram semanalmente de reuni\u00f5es, est\u00fadios de cria\u00e7\u00e3o, palestras, conversas com acad\u00eamicos e bancas de avalia\u00e7\u00e3o para desenvolver suas ideias.<\/p>\n<p>As 30 mais fortes passaram para a fase final, receberam uma verba inicial de R$ 10 mil cada e come\u00e7aram a ser colocadas em a\u00e7\u00e3o em novembro. At\u00e9 o fim deste m\u00eas, todos os projetos ter\u00e3o sido inaugurados.<\/p>\n<p>Os recursos iniciais s\u00e3o o suficiente para que funcionem por dois meses. Depois desse per\u00edodo, o desafio de cada grupo \u00e9 conseguir atrair recursos e patroc\u00ednios para que o projeto se sustente.<\/p>\n<p>Carolina Meireles dos Passos, de 26 anos, est\u00e1 investindo no Conex\u00e3o Cultural, desenvolvido em conjunto com outros tr\u00eas jovens da Cidade de Deus (veja mais detalhes abaixo).<\/p>\n<p>Ela \u00e9 formada como auxiliar em sa\u00fade bucal, tinha emprego fixo mas n\u00e3o estava plenamente satisfeita com a atividade. Agora, diminuiu a carga do trabalho anterior para tr\u00eas vezes por semana e vem tocando a sua ideia de promover encontros culturais na favela da zona oeste carioca.<\/p>\n<p>&#8216;A ag\u00eancia mudou totalmente a minha maneira de ver a minha comunidade e o meu trabalho. Estimula o jovem a pensar e a fazer uma coisa para a sua comunidade&#8217;, diz Carolina.<\/p>\n<p>&#8216;Isso nunca acontece em favela. As coisas chegam muito prontas para o jovem em favela, um curso \u00e9 oferecido e pronto. Agora o jovem n\u00e3o est\u00e1 como receptor, est\u00e1 entregando o que acha que \u00e9 interessante, o que acha que a comunidade precisa.&#8217;<\/p>\n<p>Com e sem UPPs<\/p>\n<p>No primeiro ano, a ag\u00eancia funcionou em seis comunidades: Batan, Borel, Cidade de Deus, Chap\u00e9u Mangueira\/Babil\u00f4nia, Cantagalo\/Pav\u00e3o\/Pav\u00e3ozinho e Provid\u00eancia. Todas elas j\u00e1 integradas \u00e0 pol\u00edtica de pacifica\u00e7\u00e3o do governo do Estado do Rio, com a implanta\u00e7\u00e3o de Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP) para expulsar o tr\u00e1fico armado.<\/p>\n<p>Neste ano, por\u00e9m, a ag\u00eancia vai expandir a sua rede e a nova turma a ser mobilizada, com 350 jovens, vai ser tamb\u00e9m de favelas que ainda n\u00e3o receberam UPPs.<\/p>\n<p>&#8216;As UPPS s\u00e3o uma oportunidade muito importante. Fomos para elas primeiro porque n\u00e3o basta ter UPPs, \u00e9 preciso criar oportunidades tamb\u00e9m. E agora vamos para outras porque \u00e9 preciso formar uma grande teia que misture jovens, acad\u00eamicos, ONGs&#8217;, diz Faustini.<\/p>\n<p>&#8216;A ag\u00eancia \u00e9 uma experi\u00eancia farol. Estamos inventando uma metodologia para aproveitar o potencial desses jovens e gerar novas lideran\u00e7as de favelas. S\u00f3 eles descobrem coisas que a gente nunca descobriria&#8217;, diz.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a abaixo alguns projetos que est\u00e3o em andamento ou sendo lan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Conex\u00e3o Cultural &#8211; Cidade de Deus (zona oeste)<\/p>\n<p>O projeto foi concebido por quatro jovens da Cidade de Deus (CDD) como um espa\u00e7o para que artistas locais se apresentem \u00e0 comunidade, em um evento mensal de mesmo nome.<\/p>\n<p>&#8216;Temos uma quantidade muito grande de artistas na CDD, mas eles n\u00e3o tinham espa\u00e7o para se apresentar na pr\u00f3pria comunidade, s\u00f3 em outros lugares da cidade. Os moradores tinham que sair para v\u00ea-los, ent\u00e3o a gente prop\u00f4s criar um espa\u00e7o aqui para que a comunidade possa conhec\u00ea-los&#8217;, diz Carolina Meireles dos Passos, de 26 anos.<\/p>\n<p>O levantamento feito pelo grupo ainda n\u00e3o deu conta de todo o territ\u00f3rio da CDD, mas j\u00e1 listou 80 m\u00fasicos, fot\u00f3grafos, atores, cineastas etc. A segunda edi\u00e7\u00e3o do evento acontece dia 20 deste m\u00eas, a partir das 17h, com uma exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, a exibi\u00e7\u00e3o de um curta-metragem e esquetes teatrais, entre outros.<\/p>\n<p>Providenciando a favor da vida &#8211; Morro da Provid\u00eancia (Centro)<\/p>\n<p>O projeto d\u00e1 assist\u00eancia a gr\u00e1vidas com idades entre 12 e 25 anos do Morro da Provid\u00eancia. Elas se encontram duas vezes por semana e participam de conversas e encontros sobre temas como sexualidade, amamenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade do beb\u00ea e a autoestima da m\u00e3e. As meninas que participam do curso at\u00e9 o final ganham um enxoval para o beb\u00ea.<\/p>\n<p>Idealizadora do projeto, Raquel da Gama Spinelli, de 26 anos, diz que h\u00e1 muitas gr\u00e1vidas nesta faixa et\u00e1ria na comunidade e que a ideia surgiu de uma experi\u00eancia pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>&#8216;Ajudei uma amiga que passou por muitas dificuldades durante a gravidez. Ela era muito nova, a fam\u00edlia n\u00e3o apoiou, ela n\u00e3o tinha recursos, o pai n\u00e3o assumiu&#8230; Eu fui ajudando.&#8217;<\/p>\n<p>Para elaborar o projeto, Raquel fez um mapeamento das jovens gestantes na comunidade e viu que muitas n\u00e3o terminaram os estudos, n\u00e3o trabalham e que a maioria quis engravidar, mas n\u00e3o se preparou para ter o filho. Os encontros incluem tamb\u00e9m oficinas de gera\u00e7\u00e3o de renda para que as jovens possam desenvolver uma atividade em casa.<\/p>\n<p>Boca de Lixeira &#8211; Cantagalo\/ Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho (zona sul)<\/p>\n<p>Joyce Pereira Pires, de 16 anos, se mudou do Cear\u00e1 para o Rio h\u00e1 sete anos, e se surpreendeu com a quantidade de lixo deixado nas ruas, vielas e encostas quando chegou com a fam\u00edlia no Pav\u00e3ozinho, em guia Copacabana. Seu projeto busca conscientizar os moradores a fazerem a correta disposi\u00e7\u00e3o do lixo.<\/p>\n<p>Joyce vem organizando mutir\u00f5es de limpeza aos s\u00e1bados em \u00e1reas identificadas como cr\u00edticas. Nos dias anteriores, ela visita moradores para explicar o projeto, cham\u00e1-los para participar e incentiv\u00e1-los a levar seu lixo reciclado, que \u00e9 repassado para grupos que fazem artesanato com o material. Os que participam dos mutir\u00f5es concorrem a um microondas.<\/p>\n<p>&#8216;Para tudo tem que ter uma troca. Se quero conscientizar as pessoas, elas querem ganhar alguma coisa&#8217;, diz. Mas Joyce afirma que est\u00e1 sendo mais f\u00e1cil mobilizar a nova gera\u00e7\u00e3o do que os adultos. &#8216;Nos dois mutir\u00f5es que fizemos at\u00e9 agora, s\u00f3 foram crian\u00e7as e adolescentes&#8217;, conta.<\/p>\n<p>Da CDD Para o Mundo &#8211; Cidade de Deus (zona oeste)<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem de extrema viol\u00eancia que foi propagada pelo mundo no filme Cidade de Deus (CDD), de Fernando Meirelles, que se passa na comunidade da zona oeste do Rio. Aureliana Marques e Layla Duarte, ambas de 17 anos, idealizaram um roteiro para crian\u00e7as sobre a hist\u00f3ria da comunidade.<\/p>\n<p>O circuito vai percorrer a primeira igreja da comunidade, a primeira escola, a escola de samba, a pra\u00e7a principal, com uma pessoa para falar sobre a origem de cada local. Depois do passeio, as crian\u00e7as ter\u00e3o uma oficina de arte para que desenhem e falem sobre o que viram. A largada ser\u00e1 dada no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, quando acontece, a partir das 9h, o primeiro passeio para um grupo de 15 crian\u00e7as, de 5 a 12 anos.<\/p>\n<p>&#8216;A maioria das crian\u00e7as n\u00e3o conhece a hist\u00f3ria da CDD. Queremos explicar para elas. Hoje em dia muitas crian\u00e7as se envolvem com tr\u00e1fico (de drogas), n\u00e3o querem saber de estudo. Queremos estimul\u00e1-las a conhecerem sua hist\u00f3ria, seu espa\u00e7o, para que se envolvam mais com a comunidade, e n\u00e3o com coisas ruins&#8217;, diz Aureliana, que no futuro quer abrir os passeios para pessoas de fora da favela.<\/p>\n<p>Favela Org\u00e2nica &#8211; Chap\u00e9u Mangueira\/ Babil\u00f4nia (zona sul)<\/p>\n<p>Regina Tchelly se mudou de Jo\u00e3o Pessoa para o Rio h\u00e1 dez anos e fez um curso de cozinheira para obter um diploma. Mas nunca quis trabalhar em restaurante. Foi ser empregada dom\u00e9stica e experimentar em sua pr\u00f3pria cozinha. &#8216;Queria ser uma cozinheira diferente. Mexo com um pouco de tudo na culin\u00e1ria&#8217;, diz a paraibana de 30 anos.<\/p>\n<p>Das experi\u00eancias que foi desenvolvendo para dar aproveitamento m\u00e1ximo aos alimentos &#8211; usando, por exemplo, casca de banana para fazer brigadeiro e casca de melancia para fazer risotos &#8211; nasceu a ideia do Favela Org\u00e2nica. Desde dezembro, o projeto vem promovendo oficinas onde 14 participantes do Chap\u00e9u Mangueira e Babil\u00f4nia s\u00e3o estimulados a cozinhar evitando o desperd\u00edcio. Aprendem a criar adubo a partir de sobras de alimentos (compostagem) e a fazer hortas nos espa\u00e7os que tiverem dispon\u00edveis em casa.<\/p>\n<p>&#8216;Eu via muito desperd\u00edcio nas casas das pessoas. Queria ensin\u00e1-las que \u00e9 poss\u00edvel fazer adubo org\u00e2nico e transformar cantinhos da casa em pequenas hortas, mesmo que seja usando caixinhas de sorvete para fazer jardineiras&#8217;, diz Regina, que hoje ainda trabalha como dom\u00e9stica, vende comidas congeladas e agora atua como professora na comunidade que adotou no Rio.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seis favelas pacificadas no Rio, o burburinho de jovens pregando cartazes em postes, agitando moradores a participarem de eventos e anunciando suas pr\u00f3prias inaugura\u00e7\u00f5es t\u00eam gerado um movimento novo de novembro para c\u00e1. Eles v\u00eam dando o pontap\u00e9 inicial para 30 projetos idealizados por eles pr\u00f3prios para suas comunidades, voltados para \u00e1reas como sa\u00fade, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":925,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156\/revisions\/925"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontracopacabana.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}